CAIA EM SI, TATUÍ
Agosto 17, 2008
Estou super viciada na música “Tatuí”, do 3 na Massa, um projeto bem maluco que conta com músicas interpretadas sensualmente por mulheres cantoras, como a Céu, a Pitty e a Thalma de Freitas. Elas sussurram, gemem e simulam atos sexuais, enquanto dão voz a composições masculinas. O álbum, A Confraria das Sedutoras, é produzido por nações zumbis e um outro cara.
A música Tatuí é a coisinha mais querida, composta pelo Rodrigo Amarante (ex-futuro-hermano que eu adoro) e interpretada pela namorada dele, a Karine Carvalho, uma atriz que já fez umas aparições em novelas globais nos anos 90. Pra ser sincera, eu não gostei muito do clipe, mas a música vale muito a pena, é toda suavezinha, fofinha e tem aqueles acordezinhos meio caribenhos da guitarra do Amarante…
Um dia de cão (ops, frango)
Agosto 5, 2008
- Cris, você vai visitar a produção de frangos, você vai se vestir de funcionária e vai passar um dia no abate.
- (Glurp).
- Tenho a lhe dizer que a estrada é longa e que o local fica distante do centro da cidade.
- Ok, posso lidar com isso.
…
- Puta merda, essa estrada não vai a lugar nenhum, o que vejo são pessoas capinando e cachorros tomando conta da porra toda.
….
(A estrada acaba. Uma bifurcação que parece, em ambas as direções, ir a lugar nenhum, se mostra diante de meus olhos. Volto. Encontro uma empresa.)
- Por favor, seu guarda, como se chega a tal lugar?
- Volte tudo que você andou e vire à esquerda. Siga reto. Toda vida.
…
- Bom dia. Lindo dia para visitar a galinhada sendo degolada, não?
- É, lindo dia. Você vai amar. É muito legal,
- (…)
- Primeiro, vista essa meia gigante e grossa por cima da sua calça. Agora, tome, essa é uma calça tamanho M. Tem o dobro da sua estatura, mas acho que vai dar. Agora, coloque esse moleton gigante, que é o menor que temos. Depois, insira esta touca na sua cabeça. Tire brincos, anéis e piercing. Por cima da touca, coloque esse turbante medonho e, ainda em cima, essa proteção de ouvidos, parecida com um fone de radialista. Laranja. Coloque também essa proteção para sua boca e nariz. Por cima da meia, coloque essa galocha cinco vezes maior que o seu pé. Por fim, vista esse jaleco assim que chegarmos à produção. Desculpe não termos uniformes para crianças. E, cuidado, você pode contaminar o ambiente.
- (E o ambiente? Não pode me contaminar?)
- Fique assim, como um bujão com a capa gigantesca. E prepare-se para a nossa longa caminhada.
- Obrigada, você é um amor.
…
(muitos e muitos passos depois)
- Cris, aqui, neste lugar gelado, é a produção. Todas essas pessoas passam o dia inteiro tirando as partes do frango. Vamos fazer o caminho contrário. Primeiro, vamos ver a rapaziada ser destroçada pra virar partes gostosas no seu prato. Depois, vamos ver como a galinhada morre. É normal, todo mundo morre, certo?
- Claro.
- Ah, tem um detalhe. Como exportamos para o Oriente Médio, seu Mohamed aqui fiscaliza tudo, pra ver se as galinhas estão morrendo da maneira certa, sem stress, do jeito que Maomé prega.
- Claro. (Por que esse povo não é vegetariano de uma vez?)
- Bom, ali temos o local onde nossos funcionários islâmicos rezam todos os dias. Rezam pelos frangos, pra que suas almas fiquem bem.
- Normal, né?
- É, bem normal.
- Eles só não nos deixam entrar ali. É um local sagrado.
- Ah, mais normal ainda.
- Sim, é tradição.
- Sei.
- Aqui ficam as câmaras frias, onde ficam armazenadas em caixas as partes dos nossos queridos animaizinhos. Vamos entrar?
- Ah, lógico. Depois de ficar na produção a 9 graus, 30 graus abaixo de zero eu não vou nem sentir.
- Então, Cris, aqui ficam as caixas, até bem lá em cima, todas armazenadas até que os pedidos sejam expedidos.
- (Brrrrr….)
- Venha mais pra cá, olha só quantas caixas.
- (Brrrrr…)
- Gelado aqui, né?
- (Brrrr…)
- Venha aqui, nesse local um pouco mais fresco, onde as partes não utilizadas são moídas para depois transformar-se em salsicha, hambúrguer e tudo mais.
- Então, o hambúrguer vem desse monte de tralha com aromatizantes?
- Isso mesmo.
- Hmmm, adoro hambúrguer de frango.
- Vamos lá pro abate então?
- Claro, sou doida pra conhecer o abate.
- Tem certeza que você não passa mal?
- Tenho, vejo abates de frango todos os dias.
- Então ta, porque se você passar mal, eles me matam.
- (?)
…
- Cris, caminhões desse tamanho estacionam aqui várias vezes ao dia. Os frangos ficam um tempo antes sem comer e num local ventilado, atochados em caixas e recebem um sprayzinho reconfortante, pra eles não sofrerem, sabe?
- Sei, deve ter um haxixe aí, né?
- …
- Brincadeirinha…
- Daí eles ficam nesses ganchos, ainda vivos, de cabeça pra baixo. Tudo pelo bem-estar animal, como a gente chama.
- Ah, legal. Ufa, que alívio que se preza pelo bem-estar deles.
- Em seguida, eles levam um choque na água, assim mesmo, de cabeça para baixo, e são degolados nessa maquininha aqui.
- Blé!
- Tudo pelo bem-estar animal.
- Arram.
- O cheiro não é muito agradável, né?
- Que é isso? Agradabelíssimo.
- E, bom, o resto você já sabe.
- Arram.
…..
- Tchau, querida. Obrigada pela experiência inesquecível. Adorei!
- Estamos ai. Volte sempre.
- Vou voltar, pode deixar.
- Vamos qualquer dia, combinar um estrogonofe. De frango.
- Vamos, claro.
- Cuidado pra não se perder na estrada.
- Pode deixar!
Terremoto no meu mundo
Julho 30, 2008
Tem coisas que muita gente acha ridículas. É o meu caso, por exemplo, quando se trata de palestras motivacionais. Acho sempre um saco, uma lavagem cerebral, algo do tipo: “O trabalho enobrece o homem e o lazer mata”. Mas, vez ou outra, tenho que ir em algum evento desses e saio de saco cheio, achando tudo um porre.
Bom, não foi o que aconteceu dessa vez, quando, há uns dias atrás, fui numa palestra com o Steven Dubner, coordenador da ADD, Associação Desportiva para Deficientes (se não me engano).
Estava eu, na primeira fila, com meus braços e pernas rechonchudos, minha bochecha rosada, exalando saúde e mau humor. E eis que um tipo estranho, com roupas de taktel (???) sobe em uma cadeira de plástico e começa a falar do seu dia-a-dia com os deficientes físicos atletas. E, todo aquele meu desconforto ao lidar com a deficiência alheia se transformou em uma grande e engraçadíssima piada, da qual eu chorei, chorei e chorei.
Aquele quase senhor com os seus 40 e tantos anos e sotaque indefinível me fez pensar sobre quase tudo em pouco mais de uma hora de palestra. Ele é exagerado, persuasivo, mas, mesmo assim, terrivelmente certo em tudo o que falou. E tudo aquilo que a gente já sabe, que não pode reclamar da vida, que qualquer obstáculo pode ser superado, que somos privilegiados – mesmo sem pernas ou braços ou visão – se transformou em uma incrível e indubitável verdade. E eu, como repórter, supostamente imparcial, caí no choro de forma enlouquecida e triste e alegre ao mesmo tempo.
Não sei o que me deu, mas aquelas imagens de recordistas sem braços, sem pernas, sem ambos, sem visão, sem audição, sem coordenação motora não me causaram a estranheza que um dia me causavam, mas um amor à vida, uma vontade de viver, um tesão pelo universo que talvez só um hippie em viagem de LSD sentiria. A cada minuto, a cada palavra, a cada gesto daquele homem, eu crescia mais e mais e, se aquela palestra durasse um tempo extra, eu juro que explodiria.
Claro, não é por isso que eu vou deixar de reclamar, de ter meus momentos péssimos e de continuar desconfortável com a deficiência física alheia, mas sinto que alguma coisa se abriu e mais uma percepção foi incluída no meu hd ambulante, que sou eu mesma e minhas idéias a respeito das coisas. Porque tudo é tão grande e tão mais do que a gente pensa que nosso ínfimo mundinho cambaleia quando abrem-se novos horizontes. Não tenho vergonha disso: A palestra do Steven Dubner abalou meu pedaço de mundo.
E, se alguém, saiu daquele ginásio, sem levar alguma coisa – boa ou ruim, tanto faz – eu digo, sem medir palavras, que é preciso amar mais, viver mais e ter menos medo de sonhar. E também sou preconceituosa: Não tenho o menor interesse em conhecer essas pessoas.
I’m with the band
Julho 30, 2008
Muito pouco de música e muito mais do tamanho do pinto dos rock stars. É mais ou menos o que encontra quem se aventura pelas páginas de “I’m with the band – Confissões de uma groupie (Barracuda, 2004)”, de Pamela des Barres. A moradora de Reseda, Califórnia, nascida em família tradicional e que se tornou adolescente em meio ao rock n’ roll, ao flower power e a todos os homens pertencentes a esse mundo, conta um pouco do seu passeio pelo lado B do mundo. Os homens do rock era tudo o que a garota desejava. Pamela os amava, os venerava, os seguia e realizava todos os seus sonhos mais profanos. E, apesar da aparente falta de princípios morais, Pamela sonhava com um romance maduro, seguro e eterno. E, nas suas viagens de carona, de drogas e de sonhos, “Miss Pamela” perguntava a Deus se a sua vida era direita, se aquilo a levaria a algum lugar.
Apesar dos constantes erros de digitação, o livro é divertido, mesmo com alguma sensação de “Já ouvi isso em algum lugar”. As anotações no diário da “groupie” são a base da narrativa e, de alguma forma, o leitor acaba se apaixonando pela caça-rock-stars, seus conflitos, dilemas e suas paixões avassaladoras, que duravam não mais que alguns meses.
Foi assim com Jim Morrisson (Doors), Chris Hillman (Byrds), Keith Moon (Who), Mick Jagger (Stones) e mais outras estrelas não tão brilhantes. Jimmy Page, entretanto, causou mais furor e deixou a pobre Miss Pam à beira do desespero. Claro, tudo passou e é por isso que ela ousou contar, nos mínimos detalhes, todas essas aventuras e desventuras, antes ouvidas apenas por Gail Zappa, mulher de Frank Zappa e conselheira oficial da groupie.
Vale a pena adentrar esse universo. Principalmente para quem já sonhou e já teve suas paixões secretas com aquele rock star distante e muitas vezes já morto. Porque Miss Pamela, de Reseda, Califórnia, foi mais além, e realizou seus sonhos mais longínquos.
Pensamentos felizes
Julho 29, 2008
Eu estava pensando na vida e nas coisas boas que ela nos traz todos os dias. Em quanto eu preciso lutar diariamente contra os meus medos e contra os medos dos outros e quanto eu dou e recebo e em quantas pessoas eu conheço e que me impressionam e tantas outras que simplesmente não me fazem a menor diferença. Mas isso não me preocupa porque, certamente, na vida de outras pessoas, elas significam muitas e muitas coisas e eu, na vida de muita gente, sou só alguém conhecida e nada mais.
Também pensei em gente que já me fez mal e também que eu já fiz mal pra algumas pessoas; não muitas, espero. Pensei que gosto tanto de tanta coisa que faz mal e odeio tantas outras que fazem bem, mas que não penso assim: fazer bem ou fazer mal. Penso em fazer e ponto. Depois eu penso no resto.
É sempre assim; um redemoinho de idéias na minha pobre pequena cabeça, cheia de livros, de palavras, de músicas, de pessoas, de cheiros, de lembranças, de prospecções, de programas de tv, de gosto de vinho, de comidinhas, de cenas de filme, de beijos, de abraços, de uns momentos ruins e muitos momentos bons.
E foi desse jeito, pensando, que eu também percebi que tem gente que a gente conhece e que algumas palavras trocadas e algumas impressões já bastam pra gente ter certeza que foi uma dessas coisas legais que aconteceram na vida da gente. E é tão legal se dar conta disso e acrescentar essas coisas na nossa memória e lembrar daquele conselho antigo, mas bem guardado, quando, um dia, a gente precisar de uma resposta bem específica.
Tem dias que eu fico assim, pensando no sentido das coisas e chego a conclusões bem felizes, como uma propaganda de plano de saúde.
Voltando
Julho 28, 2008
Hmmmm…. Recomeçar a escrever…. Hmmmm…. Sobre o quê? Hmmmm….. Talvez sobre retomar a escrita. Não sei… Difícil. Sem idéias…. Mas tenho que escrever… Porque meu chefinho me passou uma crônica pra ler e eu li e gostei e fiquei com vontade de escrever…. Porque eu estou com inveja do meu namorado que acabou de montar um blog sobre quadrinhos…. Porque eu não posso passar a vida escrevendo matérias corporativas se tem tantas outras milhões de coisas sobre as quais eu gosto de escrever. Porque é divertido pra caralho escrever sobre coisas que pouco interessam mas que (fazer o quê?) são parte da minha vidinha.
Sei que meus milhares de leitores estão se corroendo por dentro sofrendo a tortura de não me ler desde abril. Mas espero, em breve, sanar essa aflição com minhas sábias palavras digitadas neste blog. Um dia, quem sabe, quando as idéias pousarem sobre a minha cabeça.
